Ônibus da vida

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Transporte Público


  



    ''Bastam alguns minutos num ônibus lotado para que qualquer um perceba a frustração e o cansaço que exalam pelos poros junto ao suor de cada pessoa. Mentes e corpos cansados ao fim de um dia de trabalho se amontoam no corredor estreito, e um ar de tédio percorre os espaços vazios. Uma leve brisa entra pela janela só para dar mais calor àquela tarde quente e abafada dentro do veículo fechado. Mas então, como se por uma brincadeira cruel do destino, um banco é liberado e por alguns instantes parece que uma luz o ilumina e quase é possível ouvir o coral de querubins cantando “oooh”. Os olhares se cruzam e uma batalha silenciosa é travada entre aqueles que se encontram próximos ao objeto de seu mais novo desejo. Afinal, em terra de ônibus lotado, quem se senta é rei.
   De qualquer maneira, o fato é que essa rotina se repete incessantemente em cada um dos articulados, convencionais e microônibus que cruzam nossa cidade todos os dias, o tempo todo. E nem adianta dizer que ônibus lotado é coisa de horário de pico, porque não é, a menos que 15h30 e 16h30 tenham passado a ser.E eu falo isso porque é exatamente o horário em que pego ônibus e é raro o dia em que consigo um abençoado lugar ou, pelo menos, arranjo um espacinho para me segurar. Não é hipérbole, às vezes o ônibus está tão cheio que não é necessário nem se agarrar às barras: não há espaço para cair; as pessoas se seguram umas às outras.Como se isso já não fosse ruim o suficiente, muitos dos ônibus que circulam nos horários mais cheios são convencionais. Na última semana utilizei o transporte público em dois horários diferentes: às 11h e às 16h30 e eis um fato: o ônibus das onze era articulado, sobrava espaço vazio e ninguém brigou por lugar, enquanto que o das 16h30 – pego no dia seguinte – era convencional e, claro, estava estufado de gente.

    No dia 07 de outubro, fiz minha segunda reclamação à ouvidoria sobre esse fato: nos horários mais cheios os ônibus são menores – referindo-me às linhas 116 e 134 saídas, respectivamente, do Shopping D. Pedro e do Terminal de Barão Geraldo. Minha primeira ligação, feita em agosto, não foi respondida, mas sobre a última obtive uma resposta que não me agradou. Em primeiro porque minha reclamação foi anotada erroneamente, entenderam que eu disse que nessas linhas utilizavam-se microônibus o que, de fato, nunca foi dito e realmente não acontece. E em segundo porque ao invés de falar sobre o trajeto de minha reclamação, a carta-resposta menciona o sentido inverso.
E isso é só para reclamar da superlotação, porque ainda seria possível citar mais uma longa lista de problemas, entre eles o não cumprimento de horários e a constante quebra de veículos.
   Segundo a ANTP (Agência Nacional de Transportes Públicos) o custo do transporte em Campinas está atualmente em torno de R$ 38,4 milhões mensais e há 1.252 veículos em circulação. São transportadas 15,4 milhões de pessoas mensalmente, o que corresponde a 15,4 vezes nossa população. Então me pergunto se esse dinheiro está sendo bem aplicado. Se, ao invés de investir em ônibus “chiques” – alguns com televisão! - não seria melhor usar essa verba para aumentar o número de linhas em circulação. É claro que muita coisa está melhor, não posso negar, nesse ano as autuações às empresas aumentaram e alguns veículos já foram substituídos por maiores na região do Campo Grande, mas sinto que outras áreas da cidade foram razoavelmente esquecidas nesse investimento em ônibus maiores.Resta-me, então, perguntar: será que quem utiliza o transporte nas outras regiões não merece ser igualmente atendido? E quantas vezes será necessário ligar na ouvidoria para que, enfim, alguma mudança seja, de fato, efetivada?''

                                                                                                         Tainá Alves 




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